Impacto do ‘Tarifaço’: Exportações de Petróleo Brasileiro aos EUA Caem 18% Mesmo com Isenção
Os dados mais recentes revelam um paradoxo no comércio Brasil–Estados Unidos: ainda que o petróleo bruto tenha sido beneficiado pela isenção da elevada tarifa imposta sobre exportações brasileiras, as vendas dessa commodity aos EUA recuaram expressivamente.
Segundo levantamento da Petroinsider, as exportações de petróleo bruto do Brasil para os EUA somaram US$ 3,5 bilhões entre janeiro e julho de 2024. No mesmo período de 2025, esse volume caiu para US$ 2,9 bilhões, uma retração de 18%.
Essa redução ocorre mesmo com a concessão de uma isenção – o petróleo bruto foi um dos produtos poupados da sobretaxa adicional de 40% que entrou em vigor em agosto. No entanto, o contexto geral foi marcado por uma escalada tarifária: desde 5 de abril, vigorava uma tarifa geral de 10% sobre produtos brasileiros, e, em agosto, foi imposta uma taxa extra de 40% sobre diversos setores.
O impacto mais amplo dessa política protecionista se reflete no agravamento do déficit comercial do Brasil com os EUA. No acumulado de janeiro a julho de 2024, o país registrou um saldo negativo de US$ 318,5 milhões; em 2025, o déficit disparou para US$ 2,3 bilhões, um aumento de impressionantes 608%.
Apesar dessa queda nas exportações de petróleo, houve crescimento nas vendas gerais para os EUA: de US$ 22,8 bilhões para US$ 23,7 bilhões no mesmo intervalo de comparação. E em setores específicos, como o de café não torrado, houve uma valorização — exportações passaram de US$ 964 milhões para US$ 1,3 bilhão, alta de cerca de 34,6%.
Esse cenário evidencia uma transição na pauta exportadora brasileira, com produção diversificada, mas também destaca a dependência estrutural do país em commodities vulneráveis a choques externos e políticas protecionistas — como tarifas unilaterais norte-americanas. Vale lembrar que, apesar de ainda relevantes, os Estados Unidos têm perdido participação na pauta comercial brasileira ao longo dos últimos anos: em 2001, eram destinatários de 24,4% das exportações brasileiras; em 2024, esse percentual caiu para 12,2%.
Em resumo, embora o petróleo brasileiro tenha sido isento da sobretaxa adicional imposta pelos EUA, o recuo de 18% nas exportações e a escalada do déficit comercial apontam para um cenário de perda de competitividade, onde medidas protecionistas norte-americanas impactam negativamente setores estratégicos do Brasil.
