De olho em melhorer margens: Petrobras reentra no mercado de GLP impulsionada por margens recordes
Em agosto de 2025, a Petrobras decidiu retomar suas operações no ramo de distribuição de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) — o tradicional gás de cozinha. A medida reflete um reposicionamento estratégico da estatal, motivado pelo aumento expressivo das margens do setor e pelo crescente descompasso entre preços em refinarias e valores pagos pelos consumidores finais.
O que motivou essa volta?
A decisão aprovada por unanimidade pelo Conselho de Administração da Petrobras veio após uma proposta da conselheira Rosangela Buzanelli, representante dos trabalhadores. Ela defendeu que esse retorno é justificado pela explosão das margens líquidas do setor — que cresceram cerca de 188% entre 2010 e 2023, enquanto a inflação medida pelo IGP-M subiu apenas 48% no mesmo período.
Contexto político e regulatório
A reação do governo federal também foi rápida. O presidente Lula e o MME têm pressionado pela regulação do setor e enxergam o retorno da estatal como ferramenta para conter os preços ao consumidor. A ANP foi encarregada de propor reformas estruturais, incluindo o fim do modelo monopolista de enchimento de botijões, que restringe o processo a poucas distribuidoras.
Além disso, o governo pretende avançar com um programa social, o “Gás para Todos”, que prevê subsídio para famílias de baixa renda — uma medida urgente que ainda aguarda definição de detalhes e não foi editada oficialmente até o momento.
Estratégia e impactos financeiros
Segundo o diretor executivo de logística da Petrobras, Claudio Schlosser, a estatal já atuava na venda direta para grandes clientes. Com a aprovação do Conselho, iniciará agora os estudos para retomar efetivamente a distribuição de GLP, observando parcerias e sinergias com outros negócios, inclusive no exterior.
A expectativa é que essa movimentação não apenas aumente a integração logística e melhore a competitividade, mas também agregue valor à companhia — especialmente em um momento em que investidores preocupam-se com o fluxo de caixa e a performance financeira da estatal.
Reação do mercado e perspectivas
A decisão, apesar de bem recebida por entidades como a Federação Única dos Petroleiros (FUP), gerou apreensão entre investidores. Há temores em relação à possível intervenção do governo na política de preços, o que poderia comprometer a rentabilidade futura da estatal.
Analistas também observam que cláusulas de não competição decorrentes da venda da BR Distribuidora e da Liquigás ainda condicionam a atuação da Petrobras no setor de combustíveis líquidos — mas não no GLP. A reentrada no mercado pode, então, ser vista como um movimento estratégico de recuperação de integração vertical, com benefícios tanto para os consumidores quanto para a empresa.
