Brasil mira a Índia como novo destino para petróleo após tarifaço de Trump
O governo brasileiro está intensificando esforços para expandir as exportações de petróleo para a Índia, especialmente após a imposição de pesadas tarifas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre o país asiático. A decisão abre uma oportunidade estratégica para o Brasil se posicionar como fornecedor alternativo à Rússia, fortalecendo seu papel no mercado global de energia.
Contexto internacional e motivação
Em um movimento protecionista, Trump aplicou tarifas adicionais de 50% sobre os produtos importados da Índia, como retaliação à compra de petróleo russo pelo país. A medida busca pressionar Nova Délhi a reduzir sua dependência energética da Rússia e sinaliza a disposição dos EUA de punir países que desafiam sua política externa.
Essa situação coloca o Brasil em posição favorável. Embora atualmente represente apenas cerca de 1% das importações de petróleo da Índia, o país enxerga uma janela de expansão caso Islamabad reduza suas compras da Rússia. O petróleo brasileiro já ocupa o segundo lugar entre os produtos que mais exportamos para a Índia.
Estratégia diplomática em curso
Para avançar nessas tratativas, o vice-presidente Geraldo Alckmin prepara uma visita oficial a Nova Délhi em outubro, com o objetivo de estreitar os laços comerciais bilaterais. A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo de diversificação da pauta exportadora brasileira, que hoje ainda depende fortemente de produtos como óleos vegetais, açúcares e petróleo bruto, que representam mais de 60% das exportações para o mercado indiano.
Oportunidades e desafios
Essa manobra diplomática representa uma chance dupla:
- Redução da dependência dos EUA: diante de um ambiente internacional marcado por tensões e tarifas punitivas, buscar parceiros como a Índia é essencial para fortalecer a resiliência da economia brasileira.
- Consolidação como fornecedor confiável: a Índia busca diversificar suas fontes de petróleo. O Brasil, com sua estabilidade institucional e crescente produção do pré-sal, pode se destacar nesse cenário.
Contudo, existem desafios claros:
- A Índia ainda importa cerca de 30% de seu petróleo da Rússia; portanto, qualquer deslocamento de mercado dependerá de mudanças geopolíticas mais profundas.
- A concretização dessa estratégia está condicionada a negociações diplomáticas rápidas e eficazes, especialmente em torno de acordos tarifários, logísticos e de infraestrutura energética.
