Petrobras avança para licenciamento na Foz do Amazonas: consenso, custos e a última etapa antes da perfuração
A Petrobras está cada vez mais próxima de obter a tão esperada licença ambiental para iniciar a exploração petrolífera no bloco FZA-M-59, na ecologicamente sensível Foz do Amazonas, localizada na Margem Equatorial brasileira. A presidente da companhia, Magda Chambriard, declarou que o dia 12 de agosto poderá ser decisivo para a definição das condições e da data da Autorização Pré-Operacional (APO), etapa que antecede o licenciamento definitivo.
Magda ressaltou que houve diálogo direto com o presidente do Ibama, com apresentação de todos os condicionamentos operacionais exigidos para o avanço. A executiva destacou ainda que a Petrobras está oferecendo o “maior e melhor plano de emergência individual que já se viu na indústria do petróleo em águas profundas”, reforçando o compromisso com a segurança ambiental.
Entretanto, os custos de atraso são sigilosos — a estatal desembolsa impressionantes R$ 4 milhões por dia apenas para manter a sonda ODN II mobilizada à espera da APO. Esse cenário evidencia a pressão financeira e estratégica para destravar o processo e não perder competitividade numa região considerada promissora.
Historicamente, o Ibama já havia negado a licença de exploração em 2023, com base em parecer técnico que apontava insuficiências no plano de emergência e riscos ambientais relacionados a recifes de corais e comunidades indígenas na região. Apesar dessas objeções iniciais, foi aprovada recentemente a etapa de conceito do plano emergencial da Petrobras, liberando o caminho para a realização do simulado — último passo antes da aprovação final da licença.
Outro movimento relevante ocorreu em junho de 2025, quando a Petrobras, em consórcio com a ExxonMobil, conquistou cinco blocos na Foz do Amazonas em leilão promovido pela ANP. Outro consórcio liderado pela Chevron e incluindo a CNPC também arrematou nove blocos, enquanto a Petrobras-ExxonCapturou outros cinco — ressaltando o grande interesse estratégico pela região, mesmo diante do debate ambiental intenso.
Panorama Técnico & Ambiental
- A autora do licenciamento ainda depende da realização da APO, essencial para demonstrar capacidade de resposta a vazamentos no mar.
- Técnicos do Ibama expressaram ceticismo sobre o plano de resgate à fauna, apontando que sua eficácia seria remota.
- A exigência de uma Avaliação Ambiental da Área Sedimentar (AAAS) permanece um ponto crítico, dado seu escopo e complexidade. Enquanto setores do governo defendem sua dispensa, ambientalistas e técnicos seguem defendendo sua necessidade.
Em síntese, a Petrobras vive um momento crucial na Foz do Amazonas — entre o avanço quase certo do licenciamento e o forte escrutínio ambiental. As decisões desta semana definirão não apenas os rumos da exploração na Margem Equatorial, mas também os rumos da política energética e ambiental do Brasil.
