Surpresa ruim: Petrobras reage à possível venda de ativos da Braskem nos EUA e exerce direito de sócia
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, expressou sua insatisfação ao ser surpreendida com a notícia de que a Braskem estaria em conversas com a Unipar sobre a possível venda de ativos ou participações societárias da companhia, inclusive nos Estados Unidos. A declaração veio no contexto do evento “Energia Delas: Empoderamento Feminino nas Instituições”, organizado pela Petrobras.
Segundo Magda, a notícia chegou por meio de “burburinho de mercado” e foi uma “surpresa ruim”, visto que a Petrobras é uma sócia relevante na Braskem e possui direito de veto em qualquer operação corporativa desse tipo. Ela afirmou que a empresa imediatamente oficiou a Braskem, sinalizando que estará atenta ao desenrolar das negociações.
A Braskem, por sua vez, confirmou que iniciou conversas com a Unipar sobre potenciais oportunidades envolvendo ativos ou participações societárias, embora detalhes dos ativos em negociação não tenham sido divulgados. A Unipar afirma ter assinado um acordo de confidencialidade com a Braskem em julho.
O momento dessa movimentação é delicado: a Braskem enfrenta uma deterioração em sua situação financeira, tendo reportado mais um resultado negativo em seu balanço, divulgado na quinta-feira, 7 de agosto. Esse contexto torna o possível negócio ainda mais sensível do ponto de vista estratégico e institucional.
Magda lembrou que “ninguém começa um negócio desprezando o próprio sócio”, ressaltando o peso institucional da Petrobras como coproprietária importante da petroquímica. Esse posicionamento marca uma atitude firme e preventiva da estatal, que deixou claro que não aceitará ser ignorada em um negócio dessa magnitude.
Adicionalmente, a executiva fez um comentário sobre a descoberta recente da British Petroleum (BP) na Bacia de Santos — o bloco Bumerangue. Embora a Petrobras esteja satisfeita com seu portfólio atual, Magda sinalizou que, caso surja uma oportunidade real e atrativa, as portas da companhia continuam abertas: “as portas não estão fechadas de jeito nenhum.
Análise e Contexto
- Reação institucional imediata
A atitude de Magda Chambriard representa uma clara demonstração de vigilância da Petrobras sobre os seus investimentos. Ao oficiar a Braskem, a estatal reforça seu papel ativo como sócia e preserva seus direitos institucionais. - Ambiente financeiro adverso da Braskem
A notícia coincide com momento de fragilidade financeira da petroquímica, que revelou mais um balanço deficitário. Essa conjuntura pode estimular negociações por parte dos controladores em busca de reestruturação. - Impacto nos mercados e stakeholders
A reação negativa dos mercados financeiros à divulgação do balanço da Petrobras — mesmo com a retomada dos lucros — evidencia a sensibilidade do setor às notícias envolvendo grandes negociações e redistribuição de ativos. - Potencial abertura estratégica
Ao sinalizar abertura para parcerias, Magda mantém a Petrobras flexível ante oportunidades no pré-sal, sem comprometer sua autonomia ou foco estratégico.
A declaração de Magda reforça a postura proativa da Petrobras diante de movimentações estratégicas envolvendo a Braskem, deixando claro que, como sócia relevante com direito de veto, não será ignorada. Ao mesmo tempo, a executiva mantém a empresa aberta a oportunidades futuras — sinal claro de maturidade e firmeza institucional.
